MARCAS SLOW FASHION x POSICIONAMENTO POLÍTICO: É coerente misturar trabalho e ideais?

Admito que nos últimos dias tem sido difícil escrever por aqui. No meu rascunho tenho dois textos: um falando sobre a real importância de consumir orgânicos e outro sobre o processo de exportação de uma marca super do bem com produção brasileira. A verdade é que eu acho que está todo mundo tão tenso e revoltado que sinto que ninguém vai dar muita bola para esses outros temas, sabe? Então resolvi conversar com vocês sobre algo que senti surgir lá no Instagram durante as últimas semanas e trouxe o questionamento pra cá também.

Você acha que marcas e empresas devem se posicionar politicamente ou devem se manter neutras?

Tem quem ache que não!

Vamos dar nomes aos bois. Nas últimas semanas antes do primeiro turno o movimento “Ele não”, contra a eleição do canditado Jair Bolsonaro, cresceu exponencialmente. Não demorou para muitas marcas, principalmente com uma pegada slow, se posicionarem a favor do movimento.

Percebi que algumas delas receberam comentários questionando o posicionamento e muitas pessoas, inclusive, deixaram de segui-las, mesmo gostando do produto.

Isso gerou uma insegurança gigante e outras marcas optaram por se abster da discussão: “Estamos com medo do embate com as pessoas e de acabar estimulando um clima de ódio entre nossos seguidores”, disse uma proprietária que preferiu não se identificar. “Além disso, precisamos das vendas para nos manter e continuar fazendo o que acreditamos, nosso volume é pequeno e toda venda faz diferença” conclui.

Não seria esse um discurso de quem já está sentindo na pele o que podemos vivenciar daqui pra frente?

O movimento Slow é um movimento político na sua essência!

Também temos aquelas marcas que bateram no peito e resolveram encarar os comentários de opositores. Algumas pessoas apenas querem deixar clara a sua insatisfação com o posicionamento político contrário ao delas, outras são mais agressivas. A verdade, e o que mais me incomoda, é que de modo geral o problema normalmente é pelo pensar diferente e não propriamente pelo se posicionar.

Tenho percebido há algum tempo a dificuldade de compreensão do movimento slow de algumas pessoas, que descobrem as marcas pela estética do produto e que não compartilham de seus ideais. É claro que o objetivo de todos nós (marcas e comunicação) é alcançar e conversar com TODAS as pessoas, mas muitas vezes esbarramos em alguns poréns. Já vi gente intolerante com prazo de entrega, com demora em receber respostas, com a imperfeição da matéria prima natural e agora estamos vivenciando a intolerância sobre a opinião política dessas marcas.

A pergunta é, como seria diferente? Marcas que emergiram do nada, normalmente idealizadas e tocadas por mulheres, que prezam o social, valorizam o trabalho manual, preocupam-se com sustentabilidade e empregam um monte de mulheres igualmente guerreiras e talentosas. Absolutamente todo o processo de uma marca independente é na raça e na coragem.

A Pri Cortez, idealizadora da marca de bolsas cruelty free Maria Tangerina resume essa reflexão em um dos seus posts no Instagram da marca:

“Quem não entende que nosso posicionamento é diário e acha estranho uma marca se posicionar não estava prestando atenção em nada do que falamos até hoje!” e continua “No mais não estamos aqui apenas para vender e ganhar seguidores, estamos aqui para ser resistência e levantar outras mulheres que não tem o privilégio de poder se posicionar como nós”.

Depois da declaração a marca recebeu o apoio de muitos seguidores!

Comprar é um ato político!

posicionamento-politico
Conversa da Pri, da Maria Tangerina, com uma de suas seguidoras.

Eu preciso admitir que fico muito feliz quando vejo uma marca se posicionando politicamente. Principalmente quando é uma marca que eu uso por aí, rola um orgulho a mais, sabe? Isso porque percebo que estou financiando alguém com questões morais muito parecidas com as minhas. Agora se estou certa em agir assim ou estou aumentando ainda mais os muros e a bolha em que me coloquei, eu realmente não sei responder.

Marcas que se posicionam, obrigada por dar força a nossa voz e movimento! Mas a minha reflexão de hoje também vai no sentido de não julgar aquelas que ainda não o podem fazer, cada um tem uma realidade e um tempo no processo. Conversar e crescer junto é sempre a melhor opção! 

É claro que essa é a minha opinião!
E você, o que pensa sobre isso? Vamos conversar?

Beijos da Valen

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6 Comentários

  1. Puta orgulho desse blog!
    Parabéns por trazer essa questão! Parabéns pelas marcas que estão conseguindo se posicionar! São questões extremamente importantes e me sinto igualmente orgulhosa de ver esse movimento todo.
    Sejam resistentes! Aos ideais e ao posicionamento!
    E viva a democracia! (Que ela possa persistir por toda a vossa vida…)

  2. Muito importante sim, estamos num momento muito importante, não é posicionamento por gosto ou ideologia, é por luta pra manter a democracia conquistada no passado. É resistência!

    1. É isso aí! E continuamos resistência! Fiquei muito muito triste nos dias após eleição, mas cada vez mais consigo ver como isso está unindo um monte de gente muito do bem! Obrigada pela contribuição

  3. Amei demais o post, fiquei até meio sem palavras. Amei também o comentário da thali, super pertinente. O post da @mariatangerina disse MUITO em poucas palavras (comparando com o tanto que podemos falar sobre o assunto). Só orgulho por aqui! que continuem assim, resistentes e servindo de exemplo para quem ainda não pode/não consegue ter esta liberdade. (L)

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